2002
DOI: 10.1590/s0104-93132002000100005
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Abstract: O ser humano, tal como o imaginamos, não existe. Nelson RodriguesAs páginas a seguir foram adaptadas do arrazoado introdutório a um livro em preparação, onde desenvolvo análises etnográficas anteriormente esboçadas. A principal delas foi um artigo publicado em Mana, "Os Pronomes Cosmológicos e o Perspectivismo Ameríndio" (Viveiros de Castro 1996), cujos pressupostos metateóricos, digamos assim, são agora explicitados. Embora o presente texto possa ser lido sem nenhuma familiaridade prévia com o artigo de 1996… Show more

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“…No âmbito da epidemia de Aids, a imagem do "outro" como depositante da doença tende a reificar e a ser uma fonte de perigo (Good, 1996:76). Mesmo com diferentes lentes e perspectivas disciplinares variadas, por exemplo, entre os saberes biomédicos e antropológicos, o binômio "doença experiência" e "doença patologia" mostra os divisores entre nós e os outros, em vez de um enfoque sobre as multiplicidades do "eu" do "nós", como acautelou (Viveiros de Castro, 2010). Na mesma linha deste autor, Cristiano Matsinhe (2005), ao explorar as relações entre as agências de desenvolvimento e a sociedade moçambicana no caso do HIV/Aids, destaca o lugar do corpo-subjetivo no contexto da doença.…”
Section: ) O Regime De Indigenato Foi Implantado Em Todos Os Territunclassified
“…Estes termos são usados implícita ou explicitamente nas relações entre o antropólogo e o nativo (sujeito-objeto de estudo), ou seja, por um lado, entre o observador e o observado e, por outro, nas relações entre os antropólogos provenientes de lugares, escolas e experiências diferenciadas. No seu artigo "O nativo relativo", Viveiros de Castro chamou a nossa atenção para o fato da Antropologia colocar em discussão sobre quem somos "nós", evidenciando que esse "nós" esconde tantos outros, havendo, por isso, a necessidade de se lutar contra os "grandes divisores" -nós e os outros, ocidentais e os não ocidentais, e fazer proliferar as pequenas multiplicidades (Viveiros de Castro, 2010). Um outro aspecto que retomo em Viveiros de Castro, e desenvolvo nesta análise, é que o conhecimento antropológico é imediatamente uma relação social, e toda relação é uma transformação.…”
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“…Na antropologia, o conceito de eficácia simbólica vem cada vez mais sendo questionado como uma ferramenta conceitual adequada para compreender transformações ontológicas BASSI, 2013). Reduzir as diferenças ontológicas implicadas na construção dos mundos às representações sobre "o" mundo, ou seja, o "contexto social" como fundo explicativo de ideias e formas de pensar tradicionais ou não modernas constituí no mínimo uma saída ingênua e etnocêntrica (VIVEIROS DE CASTRO, 2002). Sair da crença para a prática nos habilita a percorrer outros caminhos, outros agenciamentos (e não apenas outros itinerários), levando à sério as transformações de corpos, emoções e mundos que emergem nos processos curativos.…”
Section: Crenças E Agenciamentosunclassified
“…Se antropologia foi exitosa no que ele chama de "deslegitimar" as (auto)imagens do Ocidente reificadas como únicas, revelando outras racionalidades comparáveis em seus contextos, no presente momento, "não é mais tão necessário deslegitimar" essas instituições, mas "estudar seu funcionamento" (VIVEIROS DE CASTRO, 2002a, p. 491). E aqui não é de "funcionalismo" que se trata, mas antes de tudo de "perspectiva", "ponto de vista nativo", ou seja, "levar a sério o que [o nativo] diz" (VIVEIROS DE CASTRO, 2002b). Tomar esse pensamento não como uma "representação", mas como um "conceito", que é "simétrico" ao que nós da academia formulamos.…”
Section: Conclusãounclassified
“…A fala deixava, portanto, de ser uma ação, ou "um ato passível de ser observado", tornando-se um problema de representação, donde a sua ressonância com certos temas associados a uma "psicologia (ou mesmo sociologia) da crença". Mas é importante notar que a recusa em separar os enunciados das suas situações de enunciação não signifi ca que a feitiçaria seja transformada em uma pragmática sem qualquer conteúdo semântico, signifi ca apenas, nesse caso, "levá-la a sério" (Goldman, 2006;Viveiros de Castro, 2002b), isto é, tomá-la em sua singular consistência conceitual, a fi m de que se possa, a partir daí, extrair os efeitos teóricos mais relevantes para uma "antropologia da feitiçaria". Les mots, la mort, les sorts demonstra que o melhor ponto de partida para essa antropologia não diz respeito ao tratamento da feitiçaria como representação, mas à descrição do mundo que está implicado nela.…”
unclassified